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Troquei o blog pelo twitter nos ultimos meses, não só pela falta de tempo mas também porque minha curiosidade me mata. Não que eu tenha gostado do twitter, não gosto. Assim como também não gosto de blogueiros. E aí você vai dizer e dizer e dizer e eu te digo: escrevo em um blog, não sou blogueira. E nem ache que ativei os comentários, isso é só mais um problema que não se resolve, esta aí de enfeite. Enfim, enquanto não volto...


www.twitter.com/alefelix


Ando numa fase chata, dessas que a gente passa a achar a humanidade (tô dentro) totalmente cafona e doente. Se não fosse pelo sexo e a morte, já tinha ido embora daqui.

Celebrando as Novidades

Tô com a minha mãe no telefone e o namorado com cara feia esperando eu desligar esse monte de aparelho, então vou contar a novidade e sair correndo, mas depois eu volto. Agora tô aqui também ó:

www.bloglog.com.br/alefelix


Presente...


I dreamed a dream (tradução)
Sarah Brightman


Eu tive um sonho

Houve um tempo quando os homens eram amáveis
Quando suas vozes eram suaves
E suas palavras convidativas
Houve um tempo quando o amor era cego
E o mundo era uma canção
E a canção era excitante
Houve um tempo... então tudo deu errado

Eu tive um sonho num tempo que já se foi
Quando esperanças eram elevadas e valia a pena viver
Eu sonhei que o amor nunca morreria
Eu sonhei que Deus perdoaria

Então eu era jovem e destemida
Quando sonhos eram feitos e usados e perdidos
Não havia nenhum resgate a ser pago
Nenhuma canção desconhecida, nenhum vinho intocado

Mas os tigres chegaram à noite
Com suas vozes suaves como trovão
Tal como eles rasgam sua esperança em pedaços
Tal como eles transformam seus sonhos em vergonha

Ele dormiu um verão ao meu lado
Ele encheu meus dias de maravilha infinita
Ele fez da minha infância o seu êxito
Mas ele se foi quando o outono chegou

E ainda sonho com ele vindo até mim
E nós viveríamos juntos os anos
Mas há sonhos que não podem acontecer
E há tempestades que não podemos prever

Eu tive um sonho que minha vida iria ser tão diferente deste inferno que estou vivendo...
Tão diferente daquilo que parecia...
E agora a vida matou o sonho.


Entre o céu e a ilha...

Pois é, nunca fui muito boa em separar a realidade da ficção... Não que eu acreditasse nos seriados que assistia, mas era impossível não sonhar com a idéia de ser uma das visitantes da Ilha da Fantasia, sabe? Não, não era somente para realizar meus desejos. Nem sequer conseguia pensar em algo que eu tanto quisesse. Eu (assim como grande parte das pessoas) possuo somente meus desejinhos fúteis, basicamente de consumo, nada que valesse um pouso nas águas da ilha de Mr. Roarke. Mas... eu pensava. De vez em quando ainda penso. E li agora há pouco que ele morreu e me deu uma tristeza quase infantil, dessas que a gente sente, não sabe explicar o porquê e esquece no momento seguinte. Talvez (segundo minhas recordações infantis), Roarke fosse uma espécie de deus e, sua ilha, um lugar para se realizar algo mais do que vontades mal resolvidas. Aquilo era um divã, um ritual de passagem e autoconhecimento que me fazia viajar, mudar os roteiros antes, durante e depois.
Perdi as contas de quantas vezes me perguntei o que faria em um lugar como aquele, que tipo de pendência teria para resolver, que rumo teria o papo psicológico de fim de seriado entre Mr. Roarke e eu.
Não faço a menor idéia de quem foi o senhor Ricardo Montalban e nem com que cara de velhinho ele se foi, mas espero que de alguma forma (sem comprometer o paraíso pessoal do defunto) ele tenha ido de: smoking branco, com a voz firme e tranquilizadora do cara que o dublava em português e a capacidade de observação psicológica do texto escrito para o Roarke. Todo assim e direto para a Ilha da Fantasia. E que um dia - assim como ele, sem motivos aparentes, pra lá dos oitenta e antes de me tornar uma morta-viva - ele me receba com um colar de flores e suas boas explicações. Tem gente que morre e quer ir para o céu, eu quero a Ilha da Fantasia.

Eu odeio lavar louça. Na verdade, odeio fazer qualquer serviço doméstico. Sou bagunceira, preguiçosa e a culpa é a da minha avó (não sei com quem aprendi a responsabilizar as pessoas certas, mas sempre fiz isso muito bem).

Ela bem que tentou, criou as filhas e as netas para serem donas de casa impecáveis. Mas, eu, lá por volta dos meus sete anos de idade, assim que me dei conta de que estava sendo educada e treinada para ser uma boa esposa, peguei pavor aos ensinamentos que ela tanto se esforçava para nos passar. Cruzei os braços, chorei, esperniei, entortei os talheres, quebrei as vassouras e ignorei os lustra-móveis. Não aprendi a passar roupa, lavei os pratos sonhando poder quebrá-los em festas gregas, jurei que não me casaria, que não teria filhos e faria tudo o que eu quisesse da minha vida. Enquanto isso, ela dizia...

- Se você não souber cuidar de uma casa, quem vai cuidar da sua quando você tiver uma?

Dotada da arrogância dos nossos genes, eu respondia:

- Vou ter empregada!
- E vai ser madame com que dinheiro?

Precisei de terapia para lembrar que foi assim que começou tão cedo minha obsessão por independência financeira. Eu tinha certeza absoluta de que pagaria minha vida de madame com o meu próprio dinheiro, que não aceitaria que ninguém pagasse minhas contas, que não queria ser dona de casa, mãe ou manipular meus homens com afagos em troca de trocados. Não queria acordar, lavar o rosto, trocar de roupa, ir para o fogão, passar o café, servir os filhos, dar bom dia para o marido, vê-lo partir para o trabalho depois de um beijo na testa, ver os filhos partirem correndo para a escola, tirar a mesa suspirando, ligar o rádio sempre na mesma estação, arrumar a cozinha misturando os sonhos com as canções, lavar as roupas reclamando dos filhos da vizinha que ouviam músicas em um volume mais alto que os pensamentos, limpar o chão da sala com água e cera, seguir para o quarto abrindo a janela e tirando o pó, libertando o pó, caminhando entre o próprio pó.

No final da tarde, quando todos começavam a chegar do trabalho e da escola, lá estava ela engomando as roupas em silêncio enquanto eu me perguntava quem ela realmente era, o que sonhava, se já havia desejado ser outra pessoa, se sentia prazer, se um dia a veria chorar.
Nunca vi minha vó chorar... Dá para acreditar? Não sei como minha mãe se transformou na mulher sensível que é, sendo filha da rocha polida que é a mãe dela.

Ontem de manhã me disseram que ela vai precisar de um andador para se locomover. É bem provável que ela não possa mais viver só com meu avô, que precise de maiores cuidados. Enquanto os filhos não decidem o futuro, ela está apática, não quer mais conversar. Sai do sofá para o banheiro, do banheiro para a cama, da cama para o sofá. Vê programas de TV começarem e acabarem, continua preferindo as novelas. Meu avô tem trocado as roupas: as dela, as da cama, as dele. Aprendeu a fazer feijão e a chorar por ele e por ela.

A notícia de que ela não está mais podendo andar me foi dada no mesmo dia que fiquei sem empregada pela segunda vez no ano e voltei a fazer testes com as possíveis candidatas... Mulheres que aprenderam a lavar, passar, cozinhar, amar aos outros e ignorarem a si próprias. Mulheres que chegam na minha casa de manhã, sempre em busca de uma estação de rádio, com os mesmos olhares distantes, as vezes cantarolando, quase sempre chorando com o corpo mais do que com as palavras. Nenhuma delas tão eficiente quanto são as mulheres que minha vó criou, todas elas com desejos secretos de quebrar pratos tais como os meus. Todas elas tão diferentes de mim no dia a dia do trabalho e tão iguais nos alicerces da alma. Eu observo, nunca reclamo. Brigo bem com qualquer pessoa, menos com quem faz minha comida e lava minhas roupas. Converso bastante, mas procuro conhecê-las através do silêncio. Vários testes, várias mulheres e ainda não consegui contratar nenhuma, embora sinta vontade de admitir todas. Não somente para que elas façam o que eu me recusei a aprender quando minha avó tentou me ensinar, mas para ensiná-las a transformarem o trabalho em liberdade, a não aceitarem trocados ou simplesmente acreditarem que pode não ser possível fazer o que bem entendemos todos os dias, mas que um único dia deveria bastar para que não desistissem.

Gabriela Guild


Preciso parar com esse péssimo hábito de me colocar para baixo enquanto falo comigo mesma! Lembra do "O Segredo" e pára de urubuzar seus próprios poderes, Gabriela Guild! Não esquece que você é uma atriz famos... Ok, quase famosa. Um pouco famosa. Famosa o suficiente para pegar essas costelas, esses braços, essas pern... Ué, não tem pêlo, não? Não me diga que você depila o sovaco e todo o resto das partes? Hum... Será que é...


Clique aqui para continuar lendo o terceiro capítulo do "Quero Ser Ninguém".

Meu lugar...

Semana retrasada eu estava no Fórum de Midias Sociais lá em Curitiba, morrendo de gripe, tremendo de febre sob um casaco de inverno, quando recebo uma ligação dos fofos da Nokia dizendo que me mandariam um par de ingressos para o show da Madonna... Hoje!
Óbvio que eu amei, vou pra lá feliz da vida e agradecida, mas - apesar de gostar muito de algumas músicas da Madonna - tinha em mente que hoje eu iria era para a Vila Madalena ver o movimento. Sabe o que é? Pensa: todas as peruas e todos os gays da cidade estarão no show. Festança no Morumbi, mas, diversão garantida, seria mesmo dar uma circulada pelos bares da vila e ver a heterossexualidade restante. Uma pena ter recebido os ingressos... As ruas seriam um trabalho de observação interessantíssimo, mas a Nokia me quer ao lado das mulheres loucas e dos homens mais divertidos. Uma pena, mas, vai ver, é esse o meu lugar.

* Apesar da muvuca, se rolar um esbarrão, vou de pista, oi-me. \o/

Quero ser Ninguém - Livia

Trecho do segundo post da webnovela Quero ser Ninguém, agora escrito em parceria com a Giselle Itié, além da Samara Felippo.

Fui embora logo que ela se recuperou. E voltei para casa excitadissima, querendo sair mais vezes! Vou fugir sempre que eu conseguir... Ah, se vou! E se eu não fosse filha e neta de quem sou, se a minha cara não estivesse estampanada nas bancas de jornais desde o dia que nasci, bem que eu podia ser...


Clique aqui para ler o post inteiro.

365 Dias de Solteira - 8 ° capitulo

Pertencia à turma das garotas que diziam que masturbação feminina não era necessária quando se tinha um namorado. Eu não entendia por que uma coisa excluía a outra, mas, como sempre estava namorando, realmente não pensava sobre o assunto. Nunca havia ficado por ficar. Dois rapazes ao mesmo tempo, nunca. Duas garotas? Muito menos. Casa de swing e lugares públicos? Nem pensar! Nunca. Nenhum fetiche, nenhuma fantasia muito diferente das idéias batidas das menininhas de quinze anos que sonhavam com fardas e astros do rock.

Clique aqui para ler o post inteiro (O Opala da Sorte) e morrer de catapóra preta pensando sobre a veracidade (ou não) da história. :-)

www.alefelix.com.br/365diasdesolteira

Carta Enviada para Tribuna da Imprensa...

Rio de Janeiro, 19 de outubro de 2003


Estou morrendo por ter o cerebro apertado pela torre...


Eu Lucimar Tavares Ramos Loureiro Venho denunciar o campo magnetico que Vera Lucia Silva Tavares vulgo Ze do Valqueire colocou na minha cabeça. O campo esta estacionado no Engenho Novo. Vera Lucia tirou minha alegria minha saude e minha paz. Registrei a queixa na 25 DP. Dei queixa na Ouvidoria de Policia a mando do Dr Valerio. Vera Lucia [Ze do Valqueire] me agride a qualquer hora do dia ou da noite.O campo fica 24hs ligado. Vou dizer vou dizer Ze do Valqueire mandou dizer que pra morrer so falta a coroa.
Eu sai e fui ficar num parque que existe aqui perto. Eu senti fisgadas tão fortes no peito e fiquei com medo de não conseguir chegar a clinica de cardiologia do Meier. Quando ficou provado que eu estava sofrendo do coração; Vera fugiu do Valqueire e foi se esconder na estrada dos Bandeirantes n77055 na rua Jose Duarte lote 3 casa 43.lado esquerdo tem uma venda. Depois de todos os sustos que levei passei a ter crises de taquicardia. Não posso me asustar e nem me aborrecer seriamente. eu pioro. O campo magnetico é um invento que funciona ligado ao computador com radio acoplado é tambem ligado aos canais de televisão e de radio. Com esse campo magnetico Ze do Valqueir e controla a minha visão o que eu falo e o que eu ouço. E controla a minha sensibilidade. O campo magnetico é sensivel ele fala e tem ideias proprias. No momento ele esta desrregulado. O campo magnetico imerge pelos meus sentidos. Vera le meus pensamentos e faz limpeza celebral na minha cabeça. Ze do Valqueire é camuflado ele se esconde e depois aparece é igual ao camaleão. Vera Lucia não vem em pessoa ela vem com seu campo magnetico. ela fala no Engenho Novo e no lugar saonde eu estou ao mesmo tempo. Vera Atissou os bandidos do Engenho Novo conta min.
Depois de algum tempo ja chegaram ao cumulo de entrar no meu apartamento que tem chave tetra. Abriram a porta e estão com a chave .
Eu não sei o que fazer. Ja revistaram todos os meus documentos.Vera já falou o número dos meus documentos no Engenho Novo,não posso usar minha conta corrente… Vera Lúcia já disse a senha do meu cartão de pagamento várias vezes. Ela fala muitas coisas da minha vida e já falou o nome dela várias vezes no Engenho Novo, Vera Lúcia fez isso tudo comigo porque cismou que eu tinha uma restituição indevida da receita federal. Vera me chamava de ladra. Eu tive que me defender com a doutora Alcilene Viana para dizer que não roubei. Ela me atormentava tanto que eu tive um trauma e esqueci muitas coisas, não devo nada.
No início do ano 2001 Vera lúcia da silva tavares colocou esse campo na minha cabeça. eu escutava uma pessoa falando aonde eu ia que eu peguei a restituição mas não sabia o que era aquilo.Eu morava na rua Namur 325 c:9 apto:101 Vila valqueire e vera Lúcia morava na mesma casa em cima no apartamento 201.
Por achar que peguei a restituição indevida Vera lúcia queria pegar minha casa do Valqueire,e dizia é melhor você sair daqui.De onde tive que fugir para não ficar louca. Vera lúcia fazia terrorismo comigo lá.
Pelo amor de deus me ajude a me libertar da tirania e da impunidade da Vera Lúcia da Silva Tavares (ZÉ DO VALQUEIRE)
Eu tenho fitas gravadas de pessoas que dão prova de que o campo magnético existe. O campo magnético tem que ser achado e arrancado das mãos de Vera Lúcia,lugar de louco e de terrorista é no hospício! eu tenho fé em deus que vocês vão me libertar dessa tirania,uma abraço e que deus ajude vocês pelo que fizerem por mim…

Lucimar Tavares Ramos Loureiro”


Quero ser ninguém

Mês passado recebi um e-mail de uma moça chamada Samara, dizendo que estava lendo meu blog há alguns dias e que gostaria de me encontrar para conversarmos sobre um projeto que envolvia literatura e teatro. Ela disse que morava no Rio e eu estava indo ao Rio na semana seguinte. Marcamos por e-email, trocamos celulares caso houvesse algum desencontro, só nos falamos rapidamente alguns minutos antes de nos encontrarmos pessoalmente.
Lerda que eu sou, só me dei conta de que a tal da Samara era a atriz Samara Felippo, na hora de trocar os dois beijinhos comuns do comprimento carioca. E juro que só tive certeza na segunda bochecha, porque na primeira eu ainda estava pensando "de onde mesmo eu conheço essa garota?".

Sentamos, pedimos água e ela me contou que - do jeito dela - ela escrevia desde pequena e que queria muito me mostrar alguns rascunhos. Disse que tinha uma porção de histórias na cabeça, mas que a arte dela era a cênica e que queria que eu escrevesse...

- Não esquece que eu não sou escritora.
- Eu li o "365 dias de solteira", li seu blog, seu perfil no blog... O jeito que você escreve é perfeito para o que eu tenho em mente!
- E o que você tem em mente?
- Não sei se eu vou conseguir te explicar sem mostrar alguns textos que comecei a escrever...
- Me dê um exemplo de algo mais ou menos parecido e que já tenha sido feito, só pra eu tentar entender...
- Imagina uma espécie de "Sex and City", porém com personagens que fossem atrizes, cantores, celebridades e não mulheres comuns. Todo mundo acha que sabe o que acontece na vida de alguém que está nas capas das revistas, na televisão... As pessoas acham que sabem, as revistas acham que flagram, as vezes até flagram realmente... Mas a verdade? As verdadeiras histórias, os verdadeiros escândalos, histórias que até gostaríamos de contar...
- Eu não sei se quero saber...
- Como assim?
- É informação demais. Se forem histórias verídicas suas ou de outras celebridades, quando você me contar, vira uma relação de segredo e guardar segredo dá um trabalho danado! Não quero saber não.
- A idéia é que você faça o que faz no seu blog. Você não conta suas verdadeiras histórias naqueles posts. Você ficciona tudo, mas todo mundo acha que é diário.
- As vezes é verdade sim.
- E as vezes não é.
- E as vezes é um pouquinho de cada.
- E é exatamente isso que eu quero.
- Hum... Isso eu acho que sei fazer.
- Vamos misturar tudo, fazer o que você já sabe e o que eu sei, depois a gente vê o que acontece. O que acha? Topa?


Não sei se foi exatamente assim que conheci a Samara, mas foi mais ou menos assim.
Tomara que eu consiga dar conta das trezentas mil coisas que me meto a besta... Não bastasse a idéia dela ter virado o nosso "Quero ser Ninguém", ainda estamos concluindo um site de webnovelas... Mas, sobre isso, mais pra frente eu conto.

Por enquanto é só. Espero que curtam e que eu não morra de lelé.

www.alefelix.com.br/queroserninguem


Olha que bonitinho...

Ainda há quem me pergunte porque eu acho um absurdo as pessoas se encherem de animais de estimação. Digam o que quiserem, pra mim, esses pobres seres servem aos seus donos como paliativos emocionais, uma distração para a carência e a falta de sentido que de vez em quando nos assombra. Nessas horas, tem gente que vai pra terapia, outros metem um cachorro na coleira, um pássaro na gaiola, gatos são espalhados pela cama. Mas e, nessas horas, quantas Suraias realmente existem? Bom, se fossem muitas, não teriam feito a matéria abaixo e eu não acharia - nessas horas - que estou coberta de razão, não é mesmo?

"Eu vi mais de 200 animais mortos na cidade, entre cães, gatos, cavalos e bois. As pessoas abandonaram os animais. Na pressa em sair de casa, deixaram os cachorros presos em correntes, ou trancados dentro de casa", diz Pereira.

Pelo menos minha terapeuta sabia quebrar correntes...


39 graus...

Foi só eu falar, caí de cama... Primeiro fim de semana de sol em São Paulo e tive que passá-lo embaixo das cobertas tentando controlar a febre e o mal estar. Poucas partes do meu corpo não doem, não sei como vou fazer com os compromissos que assumi para esta semana. Há mais de três anos não ficava gripada... E isso está tão forte que nem sei se é gripe. Ótimo presente de aniversário, ótimo...


Contando vantagem

A única vantagem de envelhecer é que pra nos derrubar de vez, só se for a morte.
De volta. Firme, forte, pronta pra outra e rezando por novos personagens.

Em processo de cura

Graças a Toquinho e Vinicius de Moraes...

Eu caio de bossa eu sou quem eu sou
Eu saio da fossa xingando em nagô
Você que ouve e não fala / Você que olha e não vê
Eu vou lhe dar uma pala / Você vai ter que aprender
Você que lê e não sabe / Você que reza e não crê
Você que entra e não cabe / Você vai ter que viver
Você que fuma e não traga / E que não paga pra ver
Vou lhe rogar uma praga...
Eu vou é mandar você pra...

Sonho?

Há semanas que sonho o mesmo sonho: estou em uma cidade qualquer sem saber se ela é minha ou se é só mais uma paisagem, entro em uma espécie de cabine para comprar uma passagem aérea para a cidade vizinha e alguma coisa acontece. A cabine, que antes era parte do aeroporto, se desloca do chão e é arrastada por um mar que ninguém sabe de onde surgiu porque - até então - não parecia se tratar de uma cidade praiana, embora fosse próxima de uma outra que deveria ser o meu destino. De dentro da cabine, com mais duas garotas que eu não conhecia e que só falavam em alemão, vendo as águas tomarem conta das ruas, me pergunto se o que acontece é somente uma tragédia local. Penso se vou conseguir voltar para casa e se lá vai ter alguém a minha espera. A cabine travou em uma esquina de terra ou eu pulei de cena no sonho, não sei direito. Sei que ando, ando, ando, descubro que dinheiro não vale mais nada, muito menos meus cartões de crédito. Procuro um carro porque me sinto protegida dentro de carros e eles me dão uma boa sensação de fuga, mas tudo a minha volta é caos e dentro do caos não há espaço para bolhas mágicas. Sigo em busca de velocidade, de algo que me leve mais rápido, que me leve longe e quase sou atropelada. Uma mulher com uma bicicleta é jogada no mundaréu de água enquanto alguns homens buscam irracionalmente salvação lutando por aquele par de rodas. Como se houvesse muitos espaços de terra firme... Telefones... sem sinal, sem linha, sem alô, sem poder dizer o quanto amo antes de desistir ou ser devorada. Tantos números na cabeça e nem sequer sabia direito para quem seria minha última ligação. Jornais voavam diante dos meus olhos e eu os agarrava para me secar da água e me proteger do frio. Nenhuma notícia valia de nada... água, água, água, Osama, Obama, Bush, Lula, Chaves, salvação vinda de Hu Jintao... Por que diabos precisamos tanto de mocinhos e bandidos, meu deus? Tão fácil mudar o mundo... Bastou oferecer dois mandatos para um imbecil para que ele derrubasse um império e um dos maiores preconceitos de uma nação. Tenho quase certeza de que o que está acontecendo hoje demoraria muito mais tempo para acontecer, caso não tivessem jogado a história do mundo nas mãos de um débil mental. Como são importantes os imbecis... Eles definitivamente aceleram os processos de mudança. Mas até quando eles serão necessários? Cansa... E que tipo de olhar não os percebe nos primeiros discursos, meu deus?
Quando se está diante de uma tragédia ambiental é impossível não lembrar do fim do mundo religioso, mas eram poucos os que rezavam. Parecia ser mais fácil virar bicho e cobrir todo mundo de porrada, invadir supermercados... Tanta gente se estapeando... E não era um pesadelo, eram só constatações de fragilidades sociais que desde pequena, do alto do meu muro e da minha infância, eu questionava. Era quase bom ver a terra engolir o piche, as águas guiarem os carros e a insanidade humana rasgar, enfim, os seus paletós. E eu que achava que eles - os paletós - seriam destruidos pela razão... Se não fosse minha própria vontade de estar em casa, eu ficaria quietinha num canto, vendo as pessoas correrem para a única certeza de suas vidas: todos se degladiando para salvar suas famílias, genes e pele. Sem crueldade alguma de minha parte, pelo contrário. Não conseguia parar de chorar pela dor de cada um deles. Se a vida só faz sentido quando nos unimos, era óbvio que no fim do mundo (ou no fim da daquela cidade) a maior tristeza seriam as separações forçadas. Matar e morrer só não devia ser pior do que matar e morrer por um filho, mas... Ver tantas famílias se protegendo enquanto destruiam outras, só me fazia pensar sobre o que era solidão, desespero e egoísmo. Aquilo não me parecia amor, só me parecia medo e falta de solidariedade. Eu chorava, seguia para qualquer lado, me escondia das multidões e lembrava daquele papo cristão sobre "amor ao próximo". Jesus deve ter sido um puta cara legal... Acho que eu teria me apaixonado perdidamente por ele. O Rubens tinha razão, ninguém entendeu nada. Queria tanto entender... Mas como? Eu também queria minha casa, um pouco de calor, meu cobertor, minha geladeira, meu filtro de água, meu chuveiro com água quente, meus travesseiros, papel higiênico, privada, descarga, roupas que me protegessem, portas e trancas. Eu também estava com medo... Como ele nos rouba a capacidade de compreensão, não é mesmo?
Mudanças climáticas pareciam tão distantes... Achava que quando a Terra se voltasse contra os Homens, eu já teria morrido. Não conseguia pensar em outra possibilidade além do nosso descaso, egoísmo. Tanta fé em deuses, em si próprio e tão pouca fé na Terra... Olha só a merda que deu... Precisava muito saber se era o fim de um mundo ou a destruição temporaria de uma cidade e porque caixas cheias de dinheiro estavam caindo do céu, mas acordei. Acordei no meu mundinho de água quente, potável e abundante. Com amores por todos os lados e, graças a deus, sozinha e desarmada.
Preciso sair dessa cama e começar a reciclar meu lixo... Foda-se que é tarde.





Estrelas perdidas

Como sou covarde, para ser eu mesma, as vezes preciso ser outra. Preciso ser Alejandra, Alejandra Marques, Alejandra Marquez, Alessandra Marquez, Ale Marquez, Ale Felix, Felix como o gato, todas as Ales ou um pouquinho de cada. Acordei e ainda lembro... E agora? Tomara que não tenha se perdido, tomara que não esqueça. Nem da Colômbia, nem da colombiana, nem da Estrela, nem da Lapa, nem das Farc, muito menos daquela escritora mentirosa que sabia como... Como se divertir.
Seria bom. Pelo oitavo livro, seria bom.

A palavra ou o boletim?

Boa parte dos anos que passei na escola, passei conversando e pensando. Minha dedicação aos estudos foi bem menos exercitada do que o meu poder de persuasão e minha vocação para a vagabundagem. Lá, pela quarta ou quinta série, eu já havia elaborado técnicas de fuga e cola muito mais complexas do que qualquer outro membro da rede de ensino particular seria capaz. Nessa época, a escola que eu estudava era pública e eu jamais acreditaria que só seria vencida em minhas habilidades, depois de conhecer os alunos das escolas particulares. Você pode não acreditar, mas gente rica cresce muito mais malandra do que a classe média das periferias.
No começo de cada ano letivo a primeira coisa que eu fazia era conhecer a sala de aula, escolher minha carteira (sentava na frente: apesar de vagal, sempre fui exibida), procurar os novatos, passar meu detector de beleza física pelo ambiente, me certificar de quantas faltas eu podia ter no ano e qual o mínimo de pontos necessários para não ser reprovada. Repeti uma única vez. Tomei pau na sexta série, mas nunca admiti. Como eu havia entrado na escola mais cedo do que o normal, dizia pra todo mundo que nunca havia repetido. Nenhum namorado nunca soube disso, meu ex-marido nem sonhava e, inacreditavelmente, até meus amigos da época esqueceram que um dia bombei a sexta série. Achava que talvez minha mãe ou o povo lá de casa não fosse esquecer. Mas aí na semana passada uma tia veio do interior pra São Paulo e começou um papo de que na nossa família todos são muito inteligentes, e isso, e aquilo... E minha mãe "É... Super, inteligentes! Aqui em casa, nunca ninguém perdeu ano de escola"!
Como pode? Ou ninguém presta atenção em absolutamente nada a sua volta ou as pessoas acreditam somente no que querem acreditar. Depois dessa, daqui a pouco, até eu vou achar que aquele ano nunca aconteceu. Ou vai ver que me formei em ilusionismo e, mandei tão bem, que também nem reparei. Alguém com um poder desse realmente não merecia ter tomado pau... Injustiça. Mas ainda bem que ninguém lembra. Assim fico com fama de inteligente, sem nunca ter chegado nem perto disso.